quinta-feira, 14 de junho de 2018


😣 VEJA SÓ!

Eu não deveria mais me espantar com as imbecilidades com que nossa venal mídia nos inunda diariamente, numa verdadeira tragédia nacional, maior do que todas as enchentes e incêndios juntos, mas sem corpos para contabilizar, sem estatísticas e gráficos pizza para nos impressionar. A razão deste preâmbulo é a capa da última edição da "Veja" (a merda que você fez!). A chamada da matéria principal é bastante interessante e até, possivelmente, adequada: "O Sacrifício de Bento XVI para Salvar a Igreja". Muito bem. Esse título nos induz a crer que Bento XVI optou por pedir o boné ao perceber que não tinha mais condições de exercer o cargo diante dos imensos desafios de uma instituição em crise. Não li a matéria, mas, até aqui, não há razão nenhuma para duvidar da seriedade com que a questão foi tratada.O problema vem na última linha dos subtítulos. Após alguns questionamentos interessantes (sem deixar de mencionar a grande farsa da "pedofilia da igreja", lógico), vem o seguinte "dilema": "Se um papa pode renunciar, por que um casal não pode se divorciar?" Simplesmente inacreditável. O "iluminado" que escreveu isso não faz a menor ideia do que está falando. Para se ter uma ideia da incoerência dessa "batatada", apresentarei a seguir algumas perguntinhas de sentido similar:

  • Se o Eike Batista é tão rico, por que o Mickey Mouse tem orelhas redondas?
  • Se um meteoro caiu na Rússia, por que os automóveis no Brasil são tão caros?
  • Se o ornintorrinco é um mamífero que põe ovos, por que Tostines é mais fresquinho?
E a melhor de todas:
  • Se o Fluminense foi campeão, por que eu não posso comer a Deborah Secco?
Dito isto, vamos ao que interessa: o Papa é o Bispo de Roma, líder mundial da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano (que tem a autonomia de um país). É um cargo. Ao deixar de ser Papa, o Cardeal Ratzinger não vai deixar de ser cardeal, nem padre, nem católico. Ele não está se separando de nada, não está refugando a sua ordenação, não está negando nenhuma promessa, nenhum juramento. Seu cargo é vitalício, sim, ou seja, ele pode ocupar o cargo pelo resto de sua vida. No entanto, pelo bem da própria Igreja (e este é apenas um entendimento), ele decidiu que o momento exige alguém mais qualificado do que ele, nem que seja pelo simples fator da saúde. Um casamento (pelo menos na Igreja Católica Apostólica Romana) é um compromisso firmado diante de Deus de que o casal permanecerá unido e fiel, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe - a morte, não o primeiro advogado que encontrarem. O próprio Jesus condena o divórcio em duas passagens: Mateus 19:6 e Marcos 10:9. Também condena o que hoje é eufemisticamente chamado de "2ª união": Mateus 19:9, Marcos 10:11 e Lucas 16:18. E existe um detalhezinho muito importante e pouco observado: ao contrário da grande maioria das citações de Jesus, ele aqui não faz uso de parábolas, estorinhas ou analogias. Ele é curto, grosso e direto! Fala bem claro, sem margem para interpretações ou subterfúgios, tamanha é a seriedade da questão. Portanto, a Igreja, que tem a missão de pregar a Sua Palavra, não tem escolha: ela é contra o divórcio e ponto final.
Portanto, se o autor da "pérola" da capa da "Veja" realmente deseja uma resposta à sua "genial" pergunta, aí está. Não sei se ele vai encontrá-la, mas há muito pouco que eu posso fazer a respeito. A questão é que eu não acredito que ele esteja realmente atrás da resposta - o objetivo dele já está na pergunta. Provocar, insultar, insinuar. Provocar uma discussão sem sentido; insultar a Igreja com a ideia de incoerência; insinuar que a Igreja está ultrapassada e caduca. Pois é. As "modernidades" deste mundo vem e vão. Já foi "moderno" e "justo", pela visão do mundo, chicotear negros, assassinar judeus, obrigar moças a se casarem com estranhos. Essas coisas passam, como loucuras limitadas a um período de tempo e que são convenientemente esquecidas, como se nunca tivessem acontecido. Mas a Palavra de Deus é a mesma há milênios e vai continuar a ser, não importa o que o mundo diga ou veja.

Nenhum comentário:

Postar um comentário