😔 GABI X MALAFAIA
Para
início de conversa, quero deixar bem claro que sou católico apostólico romano
xiita. Portanto, não sou nem quero ser ovelha, carneiro ou vaca de presépio
do Pastor Silas Malafaia. Dito isto, não posso deixar de admitir que
fiquei abismado com a participação dele no programa "De Frente com
Gabi" do dia 03/02/2013. Não por ele, diga-se de passagem, mas por ela!
A
entrevista orbitou em torno de assuntos "recentes" e
"polêmicos". Começando pela menção à fortuna do Pastor na revista
"Forbes", que ele desmentiu veementemente e com provas - embora
admitisse ser milionário, o que não surpreende ninguém. Depois enveredou na questão
da "homofobia", que realmente esquentou a discussão e fez a
apresentadora estourar o tempo do bloco do programa. No entanto, qualquer um
que já tenha folheado a Bíblia algum dia sabe que o Sr. Malafaia não prega
nada além de obviedades. Na verdade, só quem acha que o Natal é a comemoração
do aniversário do Papai Noel pode achar algo "polêmico" no que ele
diz. A entrevista então passou de passagem pela questão do aborto (o que foi
uma pena), da famigerada PL-122 e mal tocou na questão do divórcio e dos
casais de segunda união - e foi aí que a apresentadora perdeu a grande
chance de colocar o Sr. Malafaia contra a parede, mas perdeu essa chance
devido à sua evidente e absoluta ignorância do texto bíblico. O
papo foi então esmorecendo até a apresentadora no fim dar ao Sr. Malafaia
a oportunidade de atacar gratuitamente a Igreja Católica, numa referência tola
ao celibato do clero, numa atitude deselegante e desnecessária.
Mas o
que foi realmente estarrecedor foi o comportamento da famosa repórter. De
início, ela deixou toda a isenção e imparcialidade no banheiro antes de ir para
o estúdio. Desde o primeiro momento, ficou evidente que ela só tinha uma coisa
em mente e que norteou toda a sua atuação: "Hoje vou entrevistar um
picareta". De início, ela tentou, desastradamente, induzir o Sr.
Malafaia a admitir que pastor evangélico enriquece às custas dos fiéis.
Lógico que ele não caiu nessa e deu meia dúzia de respostas que a desarmaram
totalmente. Na questão da "homofobia", ficou discutindo inutilmente a
diferença entre "homossexualismo" e "homossexualidade"
(algo como discutir se alguém é flamenguista ou se torce pelo
Flamengo). Irritou-se mais de uma vez em face de sua própria
incapacidade de desequilibrar o adversário (sim, adversário, porque
aquilo não foi uma entrevista, foi um duelo) e no final do segundo
bloco soltou uma batatada lapidar: "Eu juro que não vou bater
nele". Incompetência e arrogância. Ora, quem foi que disse que ela poderia
cogitar a remota possibilidade de algum dia auferir o direito de bater em
um entrevistado? Eu diria que este foi o momento em que ela percebeu que não
conseguiria vencer o duelo e perdeu o controle. Admitiu mesmo isso, quando
disse "Quem está nos vendo aqui está achando você muito mais interessante
do que eu". Certamente. Mas isso se deveu exclusivamente ao fato de que
ela entrou no ar para desmascarar e desmoralizar o entrevistado - e fracassou
grosseiramente. Tivesse feito o seu papel de repórter e a estória seria
outra. Mas, no final, ela conseguiu descer ainda mais baixo, quando o Sr.
Malafaia, num gesto pleno de urbanidade e respeito, disse-lhe "Deus te
abençoe" e levou pela cara como resposta "Que o meu Deus, que eu não
sei se é o mesmo que o seu, te perdoe!" Durante o duelo, ela acusou o
Sr. Malafaia de bancar Deus e fazer pré-julgamentos, mas, no final, foi ela
quem o julgou e o condenou. Deselegante e desnecessário.
O que
restou deste lamentável programa foi a amarga impressão de que devemos
aproveitar nossa claudicante liberdade de expressão enquanto a temos, pois
a mim parece que não vai durar muito. Pois, se de um lado tivemos uma pessoa de
reputação questionável e que não faz outra coisa senão dizer obviedades, do
outro tivemos uma clara demonstração de uma mídia totalmente comprometida e,
portanto, inidônea, não confiável. Pudemos ver o quanto uma pessoa
aparentemente insignificante, mas que não segue a cartilha de quem está
puxando as cordinhas das marionetes, pode atrair para si de ódio
dessa mesma mídia feroz que não tolera quem não segue seus ditames. Quem
conhece História sabe que já vimos esse filme antes. Muitas vezes...
É, o Sr. Malafaia acabou ganhando um
inesperado admirador. Não tanto pelo que ele diz, pois, como eu já disse, ele
não diz nada de extraordinário, mas pela sua inquestionável coragem em
fazê-lo. E se você acha que ele é um pilantra, tudo bem. Direito
seu. Mas não esqueça que o que ele está fazendo é lutar pelo seu direito de
achar isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário