quinta-feira, 14 de junho de 2018

😔 GABI X MALAFAIA

Para início de conversa, quero deixar bem claro que sou católico apostólico romano xiita. Portanto, não sou nem quero ser ovelha, carneiro ou vaca de presépio do Pastor Silas Malafaia. Dito isto, não posso deixar de admitir que fiquei abismado com a participação dele no programa "De Frente com Gabi" do dia 03/02/2013. Não por ele, diga-se de passagem, mas por ela!
A entrevista orbitou em torno de assuntos "recentes" e "polêmicos". Começando pela menção à fortuna do Pastor na revista "Forbes", que ele desmentiu veementemente e com provas - embora admitisse ser milionário, o que não surpreende ninguém. Depois enveredou na questão da "homofobia", que realmente esquentou a discussão e fez a apresentadora estourar o tempo do bloco do programa. No entanto, qualquer um que já tenha folheado a Bíblia algum dia sabe que o Sr. Malafaia não prega nada além de obviedades. Na verdade, só quem acha que o Natal é a comemoração do aniversário do Papai Noel pode achar algo "polêmico" no que ele diz. A entrevista então passou de passagem pela questão do aborto (o que foi uma pena), da famigerada PL-122 e mal tocou na questão do divórcio e dos casais de segunda união - e foi aí que a apresentadora perdeu a grande chance de colocar o Sr. Malafaia contra a parede, mas perdeu essa chance devido à sua evidente e absoluta ignorância do texto bíblico. O papo foi então esmorecendo até a apresentadora no fim dar ao Sr. Malafaia a oportunidade de atacar gratuitamente a Igreja Católica, numa referência tola ao celibato do clero, numa atitude deselegante e desnecessária.
Mas o que foi realmente estarrecedor foi o comportamento da famosa repórter. De início, ela deixou toda a isenção e imparcialidade no banheiro antes de ir para o estúdio. Desde o primeiro momento, ficou evidente que ela só tinha uma coisa em mente e que norteou toda a sua atuação: "Hoje vou entrevistar um picareta". De início, ela tentou, desastradamente, induzir o Sr. Malafaia a admitir que pastor evangélico enriquece às custas dos fiéis. Lógico que ele não caiu nessa e deu meia dúzia de respostas que a desarmaram totalmente. Na questão da "homofobia", ficou discutindo inutilmente a diferença entre "homossexualismo" e "homossexualidade" (algo como discutir se alguém é flamenguista ou se torce pelo Flamengo). Irritou-se mais de uma vez em face de sua própria incapacidade de desequilibrar o adversário (sim, adversário, porque aquilo não foi uma entrevista, foi um duelo)  e no final do segundo bloco soltou uma batatada lapidar: "Eu juro que não vou bater nele". Incompetência e arrogância. Ora, quem foi que disse que ela poderia cogitar a remota possibilidade de algum dia auferir o direito de bater em um entrevistado? Eu diria que este foi o momento em que ela percebeu que não conseguiria vencer o duelo e perdeu o controle. Admitiu mesmo isso, quando disse "Quem está nos vendo aqui está achando você muito mais interessante do que eu". Certamente. Mas isso se deveu exclusivamente ao fato de que ela entrou no ar para desmascarar e desmoralizar o entrevistado - e fracassou grosseiramente. Tivesse feito o seu papel de repórter e a estória seria outra. Mas, no final, ela conseguiu descer ainda mais baixo, quando o Sr. Malafaia, num gesto pleno de urbanidade e respeito, disse-lhe "Deus te abençoe" e levou pela cara como resposta "Que o meu Deus, que eu não sei se é o mesmo que o seu, te perdoe!" Durante o duelo, ela acusou o Sr. Malafaia de bancar Deus e fazer pré-julgamentos, mas, no final, foi ela quem o julgou e o condenou. Deselegante e desnecessário.
O que restou deste lamentável programa foi a amarga impressão de que devemos aproveitar nossa claudicante liberdade de expressão enquanto a temos, pois a mim parece que não vai durar muito. Pois, se de um lado tivemos uma pessoa de reputação questionável e que não faz outra coisa senão dizer obviedades, do outro tivemos uma clara demonstração de uma mídia totalmente comprometida e, portanto, inidônea, não confiável. Pudemos ver o quanto uma pessoa aparentemente insignificante, mas que não segue a cartilha de quem está puxando as cordinhas das marionetes, pode atrair para si de ódio dessa mesma mídia feroz que não tolera quem não segue seus ditames. Quem conhece História sabe que já vimos esse filme antes. Muitas vezes...
É, o Sr. Malafaia acabou ganhando um inesperado admirador. Não tanto pelo que ele diz, pois, como eu já disse, ele não diz nada de extraordinário, mas pela sua inquestionável coragem em fazê-lo. E se você acha que ele é um pilantra, tudo bem. Direito seu. Mas não esqueça que o que ele está fazendo é lutar pelo seu direito de achar isso.

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