quinta-feira, 14 de junho de 2018

😉 INSULTOS

Foi-se o tempo em que você sabia muito bem quando uma palavra dirigida a você era ou não um insulto. Começando pelos termos mal interpretados como, por exemplo, "ignorante". Ao ouvir um clássico "seu ignorante!", certamente o ouvinte terá uma reação bastante negativa e possivelmente rebaterá com insultos gravíssimos, o que levará a uma espiral ascendente de novos insultos e possíveis agressões, sem limites previsíveis para essa escalada. No entanto, "ignorante" significa tão somente aquele que ignora, ou seja, aquele que desconhece algum assunto. Como ninguém sabe tudo de todos os assuntos, então, de um jeito ou de outro, todo mundo é ignorante (inclusive você). E "desgraçado"? "Desgraçado" nada mais é que aquele que é vítima de uma desgraça. Se a casa de alguém desmorona numa enchente ou é destruída num incêndio, essa pessoa é uma desgraçada. Isso não é um insulto, mas, simplesmente, a constatação de um fato. Portanto, se algum dia alguém te chamar de "desgraçado", e você não se enquadrar nesse critério, não se ofenda e responda simplesmente: "o senhor está enganado, deve estar me confundindo com outra pessoa". Dito isso, é melhor não entrarmos em detalhes quanto ao termo "coitado".
"Idiota" e "imbecil", por exemplo, deixaram de ser termos isolados e se tornaram preâmbulos para esporros: "Seu idiota, olha o que você fez!" ou "Seu imbecil, eu disse pra não votar nela!" e por aí vai. "Otário" deixou de ser um insulto para se tornar um gesto de autocomiseração: "Eu votei nela, eu sou um otário mesmo".
Existem também os insultos que não fazem o menor sentido, pois se referem a elementos dos quais as pessoas normalmente gostam: "cachorro" e "palhaço", por exemplo. Pessoas ditas normais gostam de cachorros - ainda que não tenham um pelos mais diversos motivos, mas não deixam de fazer "Ooooohhhhh" quando vêem um filhotinho fazendo gracinha. E o saudoso "Carequinha" dizia que a coisa que mais o entristecia era quando alguém chamava outra pessoa de "palhaço" com a intenção de ofender. E ele tinha toda razão nisso.
Termos infantis como "bobo" (e sua variante "bobão"), "feio" e "chato" não são mais usados nem pelas crianças, que hoje falam todo o rico acervo de palavrões do nosso vernáculo desde tenra idade, mesmo que alguns eles ainda nem saibam o que significa (o que, por sua vez, também é questionável). O único uso ainda em vigor da palavra "bobo" é quando uma gata tá a fim de você e usa a expressão para parecer mais experiente (normalmente acompanhado de um sorriso malicioso).
E os palavrões? Ah! Os palavrões! Eu, pessoalmente, nego a existência deles. Não preciso entrar em detalhes, mas quero que alguém me explique porque "pênis", por exemplo, não é palavrão, mas os 352 sinônimos impublicáveis dele são. Eu, pessoalmente, acho que o palavrão nada mais é que uma forma de preconceito: o cara que fala "pênis" é culto, fino, educado. O resto é pobre, "gentinha", "favelado". Um absurdo total! Até porque, se isso algum dia foi verdade, hoje certamente não é: com exceção do urologista e da professora de Ciências (ainda existe essa matéria nas grades curriculares?) ninguém fala pênis! Mas estamos falando de insultos, então vamos voltar ao que interessa. "Seu merda", "FDP" e coisas do gênero hoje são usados em rodas de conversas de grandes amigos, com réplicas e tréplicas, normalmente acompanhadas de grandes gargalhadas. Um insulto clássico que começa com "v" e termina com "iado" está caindo em franco desuso, devido ao risco de você ser enquadrado pela polícia e processado.
Se vocês querem saber, quando eu quero realmente insultar alguém, eu faço alusão aos caras que mandam lá no inferno. Não sou capaz de imaginar algo que me ofenda tanto quanto essa maligna associação. Se eu te chamar de "endemoniado", "filho do capeta" ou coisa parecida, fique certo que eu tô te chamando pra porrada. E dito isso, resta agora fazer uma pergunta:
Quem foi o endemoniado, filhote de Belzebu e auxiliar de expediente de satanás que mandou pintar todos os ônibus da mesma cor no Rio de Janeiro?

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