😉 INSULTOS
Foi-se
o tempo em que você sabia muito bem quando uma palavra dirigida a você era ou
não um insulto. Começando pelos termos mal interpretados como, por
exemplo, "ignorante". Ao ouvir um clássico "seu
ignorante!", certamente o ouvinte terá uma reação bastante negativa e
possivelmente rebaterá com insultos gravíssimos, o que levará a uma espiral
ascendente de novos insultos e possíveis agressões, sem limites previsíveis
para essa escalada. No entanto, "ignorante" significa tão somente
aquele que ignora, ou seja, aquele que desconhece algum assunto. Como ninguém
sabe tudo de todos os assuntos, então, de um jeito ou de outro, todo mundo é
ignorante (inclusive você). E "desgraçado"? "Desgraçado"
nada mais é que aquele que é vítima de uma desgraça. Se a casa de alguém
desmorona numa enchente ou é destruída num incêndio, essa pessoa é uma
desgraçada. Isso não é um insulto, mas, simplesmente, a constatação de um fato.
Portanto, se algum dia alguém te chamar de "desgraçado", e você não
se enquadrar nesse critério, não se ofenda e responda simplesmente: "o senhor
está enganado, deve estar me confundindo com outra pessoa". Dito
isso, é melhor não entrarmos em detalhes quanto ao termo "coitado".
"Idiota"
e "imbecil", por exemplo, deixaram de ser termos isolados e se
tornaram preâmbulos para esporros: "Seu idiota, olha o que você fez!"
ou "Seu imbecil, eu disse pra não votar nela!" e por aí vai.
"Otário" deixou de ser um insulto para se tornar um gesto de
autocomiseração: "Eu votei nela, eu sou um otário mesmo".
Existem também os insultos que não fazem o menor sentido, pois se referem a elementos dos quais as pessoas normalmente gostam: "cachorro" e "palhaço", por exemplo. Pessoas ditas normais gostam de cachorros - ainda que não tenham um pelos mais diversos motivos, mas não deixam de fazer "Ooooohhhhh" quando vêem um filhotinho fazendo gracinha. E o saudoso "Carequinha" dizia que a coisa que mais o entristecia era quando alguém chamava outra pessoa de "palhaço" com a intenção de ofender. E ele tinha toda razão nisso.
Existem também os insultos que não fazem o menor sentido, pois se referem a elementos dos quais as pessoas normalmente gostam: "cachorro" e "palhaço", por exemplo. Pessoas ditas normais gostam de cachorros - ainda que não tenham um pelos mais diversos motivos, mas não deixam de fazer "Ooooohhhhh" quando vêem um filhotinho fazendo gracinha. E o saudoso "Carequinha" dizia que a coisa que mais o entristecia era quando alguém chamava outra pessoa de "palhaço" com a intenção de ofender. E ele tinha toda razão nisso.
Termos
infantis como "bobo" (e sua variante "bobão"),
"feio" e "chato" não são mais usados nem pelas crianças,
que hoje falam todo o rico acervo de palavrões do nosso vernáculo desde tenra
idade, mesmo que alguns eles ainda nem saibam o que significa (o que, por sua
vez, também é questionável). O único uso ainda em vigor da palavra
"bobo" é quando uma gata tá a fim de você e usa a expressão para
parecer mais experiente (normalmente acompanhado de um sorriso malicioso).
E os
palavrões? Ah! Os palavrões! Eu, pessoalmente, nego a existência deles. Não
preciso entrar em detalhes, mas quero que alguém me explique porque
"pênis", por exemplo, não é palavrão, mas os 352 sinônimos
impublicáveis dele são. Eu, pessoalmente, acho que o palavrão nada mais é
que uma forma de preconceito: o cara que fala "pênis" é culto,
fino, educado. O resto é pobre, "gentinha", "favelado". Um
absurdo total! Até porque, se isso algum dia foi verdade, hoje certamente não
é: com exceção do urologista e da professora de Ciências (ainda existe
essa matéria nas grades curriculares?) ninguém fala pênis! Mas estamos falando
de insultos, então vamos voltar ao que interessa. "Seu merda",
"FDP" e coisas do gênero hoje são usados em rodas de conversas de
grandes amigos, com réplicas e tréplicas, normalmente acompanhadas de grandes
gargalhadas. Um insulto clássico que começa com "v" e termina com
"iado" está caindo em franco desuso, devido ao risco de você ser
enquadrado pela polícia e processado.
Se vocês querem saber, quando eu quero realmente
insultar alguém, eu faço alusão aos caras que mandam lá no
inferno. Não sou capaz de imaginar algo que me ofenda tanto quanto essa
maligna associação. Se eu te chamar de "endemoniado", "filho do
capeta" ou coisa parecida, fique certo que eu tô te chamando pra
porrada. E dito isso, resta agora fazer uma pergunta:Quem foi o endemoniado, filhote de Belzebu e auxiliar de expediente de satanás que mandou pintar todos os ônibus da mesma cor no Rio de Janeiro?
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