sexta-feira, 20 de novembro de 2020

 😪 A MORTE DA DEMOCRACIA

Talvez daqui há uns 50 anos, os historiadores identifiquem o momento que nós estamos vivendo hoje como o "início do fim da democracia". Digo isso com tristeza e, de certa forma, conformismo, já que parece cada vez mais óbvio que a democracia está se tornando anacrônica.

A ideia original dos gregos parece perfeitamente óbvia e perfeita, sendo ainda perfeitamente praticável. As pessoas se reuniam em uma praça, discutiam um assunto e então votavam individual e presencialmente. As pessoas conheciam os oradores e tinham plena consciência dos fatos que as levavam a apoiar uma posição ou a outra.

Mas então a Humanidade obedeceu à ordem de Deus: “crescei e multiplicai-vos!” E as populações foram crescendo e crescendo e crescendo numa escala exponencial. Em alguns séculos, a população de humanos ficou de tal ordem volumosa que não era mais possível que alguém pudesse ser efetivamente conhecido por toda a comunidade – salvo por algum aspecto que a levasse à fama, mas ainda assim seu nome seria conhecido, não a pessoa.

Então inventaram a tal da eleição. E com a invenção da eleição, foi inventada também a fraude eleitoral. E o homem moderno aprendeu a conviver com as duas, tentando (ou fingindo tentar) aperfeiçoar a primeira e combater a segunda. E a massa seguia acreditando no sistema, em parte por não ser capaz de imaginar outra coisa melhor, em parte porque tentava acreditar que as fraudes não eram capazes de causar um impacto realmente significativo nos resultados da eleição.

No Brasil, onde a instituição da corrupção é sagrada, o processo eleitoral criou uma situação pitoresca: imagine-se por um momento como a pessoa mais honesta e competente do mundo e então você decide entrar para a política. Ora, apenas as pessoas que te conhecem diretamente sabem que você é a pessoa mais honesta e competente do mundo e mesmo que todas elas votem em você, ainda não seria suficiente para permitir a você se eleger, seja para qual cargo for. Você precisa ter seu nome e seus atributos divulgados para que mais pessoas conheçam você. O nome disso é propaganda. E propaganda custa dinheiro. E você não tem esse dinheiro e, mesmo que tivesse, não seria inteligente bancar isso do seu bolso, já que os ganhos com o cargo pelo tempo do mandato na maioria das vezes não cobrem os gastos com a propaganda. Ora, mas uma empresa decidiu investir na sua campanha e banca a sua propaganda. A empresa é patriota e sabe que você será o melhor político do país? Claro que não. Ela vai querer o retorno disso em contratos com o governo. Mas você é honesto e não aceita esse trato. Tudo bem. Outros aceitam e você continua assistindo a TV Senado em casa.

Mas o momento atual evoluiu para um quadro ainda mais perturbador. Por conta da expansão mundial de uma ideologia que já devia estar extinta, todos os fundamentos em que se baseiam a ideia de democracia estão ruindo. Pátria, família, liberdade – todas elas – são bombardeadas diuturnamente por agentes inimigos – na grande maioria idiotas úteis. E isso acontece justamente porque a democracia garante a liberdade de expressão. Até mesmo a liberdade de destruí-la. Devido a isso, as pessoas de bem, os verdadeiros democratas, se veem de mãos atadas. Isso já seria extremamente grave num país em que as instituições ditas democráticas funcionassem a contento. Não é o nosso caso. Vivemos num país em que o aparelhamento inimigo de todas as instituições, em todos os níveis, é uma realidade. Vivemos num país onde a democracia só é aceita se o candidato “certo” for eleito. Caso contrário, ele precisa ser destruído, por todos os meios, numa negação afrontosa e escandalosa da democracia em si.

Mas não pensem que o título desse obscuro texto se refere ao nosso país. Afinal, pouco importa ao resto da Humanidade se o Brasil virar uma monarquia tibetana. Não. Eu cheguei a essa conclusão com as recentes eleições americanas. Os EUA se acham a maior democracia do mundo (não é, é a Índia), mas é lá que assistimos atônitos ao desmoronamento desse sistema de séculos, ao qual nos acostumamos e já pensávamos que seria eterno. Assistimos não a uma fraude obscura e local, discutível e insignificante, mas a uma complexa operação de fraude, organizada e executada por pessoas de todos os níveis, muitas das quais se orgulhando do que fizeram! E uma vez ficando isso exposto, não vemos uma manifestação generalizada de repúdio, mas a maciça empulhação de grande parte da mídia e de outros segmentos, declarando que sempre houve fraudes, que é assim mesmo e aceite o fato consumado e cala a boca. Ora, uma coisa é você jogar baralho e passar uma carta para o parceiro por debaixo da mesa sem ninguém ver – outra é terminar o jogo e você ver que tem cinco ases na mesa.

Ou seja, lembra quando eu disse que as pessoas (fingiam) tentar combater a fraude eleitoral? Pois é. Não mais. Ela agora se tornou um instrumento útil e reconhecidamente válido das pessoas que se outorgaram o direito de dirigir os destinos de uma população, independente de qual seja a vontade dela. O nome disso é ditadura. E é para isso que nós estamos caminhando, não “nós” brasileiros, mas, “nós” o mundo todo, pois está se tornando evidente que outros sistemas estão se mostrando mais eficientes e até mais econômicos e viáveis. Sem hipocrisias sentimentalóides e sem necessidade de gastos astronômicos com propaganda. Sistemas políticos que garantem a sua estabilidade em quaisquer circunstâncias e que impõem a sua vontade a todos. Semelhante àquele que recentemente disseminou criminosamente uma doença pelo planeta, lucrou muito com isso, impactou na política das decadentes e prostituídas democracias ocidentais e serve de modelo para muitos. Na minha opinião, é só uma questão de tempo. Espero não estar mais aqui para ver isso, mas não faço apostas.

Escrevo essas palavras sem ter ainda saído a resolução final sobre as eleições americanas. Mas não importa quem ganhe. A tendência está aí e acho que é irreversível. Afinal, se as pessoas querem tanto ser escravas de um sistema genocida, quem sou eu para lhes negar esse direito?