😪 A MORTE DA DEMOCRACIA
Talvez daqui
há uns 50 anos, os historiadores identifiquem o momento que nós estamos vivendo
hoje como o "início do fim da democracia". Digo isso com tristeza e,
de certa forma, conformismo, já que parece cada vez mais óbvio que a democracia
está se tornando anacrônica.
A ideia
original dos gregos parece perfeitamente óbvia e perfeita, sendo ainda perfeitamente
praticável. As pessoas se reuniam em uma praça, discutiam um assunto e então
votavam individual e presencialmente. As pessoas conheciam os oradores e tinham
plena consciência dos fatos que as levavam a apoiar uma posição ou a outra.
Mas então a
Humanidade obedeceu à ordem de Deus: “crescei e multiplicai-vos!” E as
populações foram crescendo e crescendo e crescendo numa escala exponencial. Em
alguns séculos, a população de humanos ficou de tal ordem volumosa que não era
mais possível que alguém pudesse ser efetivamente conhecido por toda a
comunidade – salvo por algum aspecto que a levasse à fama, mas ainda assim seu
nome seria conhecido, não a pessoa.
Então
inventaram a tal da eleição. E com a invenção da eleição, foi inventada também
a fraude eleitoral. E o homem moderno aprendeu a conviver com as duas, tentando
(ou fingindo tentar) aperfeiçoar a primeira e combater a segunda. E a massa
seguia acreditando no sistema, em parte por não ser capaz de imaginar outra
coisa melhor, em parte porque tentava acreditar que as fraudes não eram capazes
de causar um impacto realmente significativo nos resultados da eleição.
No Brasil, onde a instituição da corrupção é sagrada, o
processo eleitoral criou uma situação pitoresca: imagine-se por um momento como
a pessoa mais honesta e competente do mundo e então você decide entrar para a política.
Ora, apenas as pessoas que te conhecem diretamente sabem que você é a pessoa mais
honesta e competente do mundo e mesmo que todas elas votem em você, ainda não
seria suficiente para permitir a você se eleger, seja para qual cargo for. Você
precisa ter seu nome e seus atributos divulgados para que mais pessoas conheçam
você. O nome disso é propaganda. E propaganda custa dinheiro. E você não tem
esse dinheiro e, mesmo que tivesse, não seria inteligente bancar isso do seu
bolso, já que os ganhos com o cargo pelo tempo do mandato na maioria das vezes não
cobrem os gastos com a propaganda. Ora, mas uma empresa decidiu investir na sua
campanha e banca a sua propaganda. A empresa é patriota e sabe que você será o
melhor político do país? Claro que não. Ela vai querer o retorno disso em
contratos com o governo. Mas você é honesto e não aceita esse trato. Tudo bem.
Outros aceitam e você continua assistindo a TV Senado em casa.
Mas o momento atual evoluiu para um quadro ainda mais perturbador.
Por conta da expansão mundial de uma ideologia que já devia estar extinta, todos
os fundamentos em que se baseiam a ideia de democracia estão ruindo. Pátria,
família, liberdade – todas elas – são bombardeadas diuturnamente por agentes
inimigos – na grande maioria idiotas úteis. E isso acontece justamente porque a
democracia garante a liberdade de expressão. Até mesmo a liberdade de
destruí-la. Devido a isso, as pessoas de bem, os verdadeiros democratas, se
veem de mãos atadas. Isso já seria extremamente grave num país em que as
instituições ditas democráticas funcionassem a contento. Não é o nosso caso.
Vivemos num país em que o aparelhamento inimigo de todas as instituições, em todos os níveis, é uma realidade. Vivemos num país onde a
democracia só é aceita se o candidato “certo” for eleito. Caso contrário, ele
precisa ser destruído, por todos os meios, numa negação afrontosa e escandalosa
da democracia em si.
Mas não pensem que o título desse obscuro texto se refere ao
nosso país. Afinal, pouco importa ao resto da Humanidade se o Brasil virar uma
monarquia tibetana. Não. Eu cheguei a essa conclusão com as recentes eleições
americanas. Os EUA se acham a maior democracia do mundo (não é, é a Índia), mas
é lá que assistimos atônitos ao desmoronamento desse sistema de séculos, ao
qual nos acostumamos e já pensávamos que seria eterno. Assistimos não a uma
fraude obscura e local, discutível e insignificante, mas a uma complexa operação
de fraude, organizada e executada por pessoas de todos os níveis, muitas das
quais se orgulhando do que fizeram! E uma vez ficando isso exposto, não vemos
uma manifestação generalizada de repúdio, mas a maciça empulhação de grande
parte da mídia e de outros segmentos, declarando que sempre houve fraudes, que
é assim mesmo e aceite o fato consumado e cala a boca. Ora, uma coisa é você
jogar baralho e passar uma carta para o parceiro por debaixo da mesa sem ninguém
ver – outra é terminar o jogo e você ver que tem cinco ases na mesa.
Ou seja, lembra quando eu disse que as pessoas (fingiam)
tentar combater a fraude eleitoral? Pois é. Não mais. Ela agora se tornou um
instrumento útil e reconhecidamente válido das pessoas que se outorgaram o
direito de dirigir os destinos de uma população, independente de qual seja a
vontade dela. O nome disso é ditadura. E é para isso que nós estamos
caminhando, não “nós” brasileiros, mas, “nós” o mundo todo, pois está se
tornando evidente que outros sistemas estão se mostrando mais eficientes e até
mais econômicos e viáveis. Sem hipocrisias sentimentalóides e sem necessidade
de gastos astronômicos com propaganda. Sistemas políticos que garantem a sua
estabilidade em quaisquer circunstâncias e que impõem a sua vontade a todos.
Semelhante àquele que recentemente disseminou criminosamente uma doença pelo
planeta, lucrou muito com isso, impactou na política das decadentes e
prostituídas democracias ocidentais e serve de modelo para muitos. Na minha
opinião, é só uma questão de tempo. Espero não estar mais aqui para ver isso,
mas não faço apostas.
Escrevo essas palavras sem ter ainda saído a resolução final
sobre as eleições americanas. Mas não importa quem ganhe. A tendência está aí e
acho que é irreversível. Afinal, se as pessoas querem tanto ser escravas de um
sistema genocida, quem sou eu para lhes negar esse direito?