quinta-feira, 14 de junho de 2018

😏 TODO MUNDO É BURRO, MENOS EU

Se você é fã dos Simpsons, conhece essa frase. No episódio "Homer, o Herege", o cabeça da família Simpson diz isso pouco antes de botar fogo na própria casa. Eu costumo me referir a ela como a "Lei de Homer" e eu lembro dela toda vez que vejo alguém de notória cultura e inegável inteligência falar uma asneira mastodôntica. E, normalmente, é aplaudido, o que me leva a crer que "todo mundo é burro, menos eu". Temos tido muitos exemplos disso ultimamente e não vou falar de personalidades da política, pois, como todo mundo sabe, toda pessoa que assume um cargo político é obrigada a deixar o cérebro (quando o tem) do lado de fora. Então, não vou considerá-los.
Vamos começar com o careca mais famoso do Fantástico, o Doutor Dráuzio Varella. Numa entrevista ao Pedro Bial (https://www.youtube.com/watch?v=EapN6TBFbBw), ele soltou a seguinte pérola: "Isso que a igreja faz com relação à camisinha é um crime". What?
Deixa eu ver se entendi: a igreja prega o celibato de solteiros e a fidelidade no casamento. Assim, como consequência natural dessas posturas, ela condena o uso de preservativos. Não é necessário entrar no mérito dessa questão. No entanto, essa política da igreja, segundo o Dr. Dráuzio, "dificulta a distribuição de camisinhas" e, portanto, contribui para uma epidemia mundial de AIDS. Fazendo de conta que eu não sei que ele é ateu, o que ele está tentando dizer é que os verdadeiros causadores da proliferação das doenças sexualmente transmissíveis são os católicos! Uma vez que eles são os únicos que teriam a obrigação de obedecer ao Vaticano, então são os católicos que, com suas atitudes de celibato e fidelidade, causam essa grande tragédia. Não, "peraí", isso não faz sentido pra mim. Faz pra você? Não seria mais lógico considerar que uma sociedade imersa numa permissividade e promiscuidade desenfreada seria um cenário muito mais propício para a transmissão das DST? Não seria também mais razoável supor que a grande rejeição de muitas pessoas ao uso de preservativos, consubstanciada em frases típicas como "chupar a bala com papel" ou "tem que ser carne com carne" seria um fator muito mais significativo do que um apelo da igreja? Dráuzio, na boa: vai pentear macaco.
Outra peça magistral do pensamento filosófico brasileiro (de cores no mínimo suspeitas) chegou aos nossos infelizes ouvidos através de Leandro Karnal. O brilhante alopécico declarou (https://www.youtube.com/watch?v=xCMdaLbBsj0) que a única diferença entre os 300 de Esparta (que ele chama de "brucutus anabolizados", nos fazendo supor que ele realmente acreditou na computação gráfica do filme) e os terroristas do 11 de setembro é que nós somos ocidentais e, portanto, chamamos o primeiro grupo de "herois" e o segundo grupo de "fanáticos" e "fundamentalistas". Como-lhe?
Se me permitem, deixa eu explicar pra esse cara o que é ser um heroi: é aquele que deliberadamente se arrisca ou se sacrifica para ajudar outras pessoas. Eu gosto dessa definição, menos espalhafatosa, mas sumamente verdadeira. Os 300 de Leônidas foram enfrentar um exército invasor muito superior para proteger a sua Pátria, seus lares, suas famílias, suas mulheres e filhos. Morrendo ou não, isso faz deles herois. Já os seguidores de Bin Laden se mataram e levaram com eles centenas de civis inocentes e desarmados, num atentado covarde e vil, para benefício de quem? De quem? Até hoje, dezessete anos depois, não encontrei uma resposta válida para essa pergunta. Ou seja, enquanto o sacrifício dos 300 ajudou toda a Europa e, por conseguinte, todo o mundo ocidental a se livrar de uma ocupação islâmica, impedindo assim que eu leve minhas esposas pra passear na rua com uma correntinha presa no pé (o que até que não seria uma má ideia... brincadeira, Denise, brincadeira!), o ato dos kamikazes da Al-Qaeda, ao contrário, marcou indelevelmente o início do Século XXI e gerou inúmeras guerras, atentados e mortes, principalmente entre aqueles que aplaudiram essa tragédia. Tornaram o mundo um lugar pior para se viver. Entendeu a diferença, Karnal, ou quer que eu desenhe? De fato, me parece que a intenção do senhor Karnal é passar a ideia de que lutar pela sua Pátria, pelo seu país, pelo seu lar é uma estupidez tão grande quanto foram os atentados do 11 de setembro. Karnal, na boa, vai pentear o Dráuzio.
Por fim, o grande filósofo contemporâneo Mário Sérgio Cortella. Numa "brilhante" palestra repetida à exaustão (https://www.youtube.com/watch?v=P3NpHryB-fQ), ele afirma que todos nós somos "vice-treco do sub-troço". Para chegar a essa aplaudida conclusão, ele compara os habitantes desse nosso planetinha com bilhões de planetas, estrelas, galáxias, etc. Noves fora que essa comparação é absolutamente inútil, deixa eu dizer uma coisinha pro senhor Cortella: se algum seguidor da Maria do Rosário (a deputada, não a santa) encher a sua cara de tiro, ele será para você a pessoa mais importante do mundo, pois será ele quem interromperá seu processo de vida e nada no universo poderá impedir isso - aliás, o universo tá pouco se lixando pra você. Ou melhor ainda: se algum dia os vermelhos afinal dominarem nosso país e você tropeçar em algum figurão do partido, quando ele te perguntar "Sabe com quem está falando?" experimenta contar a sua estorinha pra ele. Vai ser muito divertido.
Se o senhor Cortella se acha o "vice-treco do sub-troço", sinto muito por ele. Eu, de minha parte, sou o ser mais importante de todos os universos (os da Marvel, inclusive). Meus amigos dizem que eu sou megalomaníaco, mas eu os perdoo por não serem capazes de reconhecer a minha grandeza. E sabe porque eu digo isso? Porque em Efésios, 2:10, está escrito: "Nós somos a obra-prima de Deus. Ele nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós". Ou seja, eu não sou uma partícula insignificante do cosmo, sou a obra-prima de Deus. E sabe qual é a melhor coisa disso? Você também é. Todo mundo é. E é ao reconhecer uma obra-prima de Deus em cada ser humano que perdemos automaticamente o direito à soberba e à arrogância, que, em última análise, é o objetivo da palestra do nosso filósofo de porta de banheiro público. Portanto, Cortella, na boa: vai pentear o Aquaman (que tá precisando).
Não sou filósofo, nem professor e admito que ás vezes sou até meio burro, mas, eu peço sinceramente: não fiquem aplaudindo qualquer um só porque a grande mídia quer que você faça isso. Na boa.

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