quinta-feira, 14 de junho de 2018


😈 NEM MANDELA, NEM WALESA, LULA É NOSSO EDDIE SLOVIK

Edward Donald Slovik foi o único soldado americano fuzilado por deserção na 2ª Guerra Mundial e o primeiro desde a Guerra de Secessão, 80 anos antes. Aí você me pergunta: ele foi o único americano que desertou durante a guerra? Resposta: claro que não. Então foi injusto? - você pergunta. E eu respondo: sei lá! 
A questão é por que ele foi fuzilado? Até onde a história é capaz de nos esclarecer os fatos, muitos soldados americanos desertaram durante a guerra. Vamos admitir que nem todos são Rambos e qualquer pessoa normal que comece a ouvir projéteis passando perto de seus ouvidos tenderá a supor que um deles vai acabar acertando a sua cabeça, o que seria suficientemente desagradável para você preferir sair correndo. No caso específico dos americanos, quando a coisa chegava ao ponto de ir para uma Corte Marcial, o cara acabava pegando uma pena bem pesada – tipo 20 anos de cadeia. Acontece que, com o fim da guerra, o crime acabava prescrevendo e aí o desertor ganhava o grande prêmio da sobrevivência ao custo de alguns anos de encarceramento bancado pelo governo.
Era isso que Eddie Slovik tinha em mente quando resolveu desertar. Só que ele não desertou em combate, ele simplesmente disse ao seu comandante que não iria para a linha de frente, virou as costas e foi embora. Todas as tentativas para demovê-lo de sua decisão foram infrutíferas (claro) e ele ainda fez o favor de fazer uma declaração por escrito e assinada dizendo que desejava desertar. Sempre tendo em mente a certeza da impunidade e da recompensa final.
O que Slovik não sabia é que no final de 1944 as coisas não andavam bem para os aliados. A esperança de uma vitória rápida havia desaparecido e algumas das mais brutais batalhas do Teatro de Operações Europeu ocorreram nessa época. A divisão de Slovik em particular (a 28ª) foi destroçada duas vezes em dois meses, nas batalhas de Hurtgen e das Ardenas. Simplesmente muita gente tinha morrido, o moral estava caindo e as deserções começaram a aumentar. Nesse clima, a Corte Marcial condenou Slovik por unanimidade à morte. Pedidos de clemência foram feitos aos escalões superiores, mas tratava-se de um desertor justamente da massacrada 28ª Divisão. Seria uma afronta aos bravos que haviam perdido suas vidas conceder a misericórdia a um cara que nem sequer tentou cumprir o seu dever.
Slovik não foi fuzilado por ser um desertor nem por ter ficha criminal (pequenos furtos na adolescência). Ele foi fuzilado porque abusou. Ele foi fuzilado porque achou que não acontecia nada com ninguém então não iria acontecer nada com ele também. Se a impunidade é pra todo mundo, ele pensou, porque logo eu vou ser punido?
O mesmo aconteceu com o ex-Presidente. Ele não foi preso por ter ganho um triplex, por ser corrupto ou por ter ficado milionário de forma escusa. Não foi preso por ser semianalfabeto ou por ter preguiça de ler. Não foi preso por ser alcoólatra. Não foi preso por ser um mentiroso contumaz e confesso. Não foi preso por capitanear a implantação de uma das ideologias mais imundas que já infestou as terras tupiniquins. Não foi preso por não ser capaz do mais minúsculo ato de decoro moral e ético. Ele foi preso simplesmente porque abusou. Se a impunidade é pra todo mundo, ele pensou, porque logo eu vou ser punido?
Diante da infinidade de opções que tinha diante de si, ele decidiu por todas. E aos extremos. Seu regime criminoso de tal maneira arruinou o país em troca de um enriquecimento pessoal meteórico e de um projeto insano de perpetuação no poder, que não deixou aos seus adversários e cúmplices outra atitude senão unirem-se para detê-lo. Primeiro se livrando da criatura estúpida e figurativa que estava mantendo a cadeira aquecida para quando ele voltasse, depois se livrando do ex-chefe. Ainda que ao custo de permitir que muitos amigos também acabassem presos, o que é um preço aceitável, para impedi-lo de matar a galinha dos ovos de ouro.
A morte de Slovik certamente fez muitos soldados americanos pensarem duas vezes antes de desertar, o que fez a sua morte ser mais útil à causa aliada do que a sua vida. A prisão de Lula certamente não acabará com a corrupção nem será o primeiro passo para isso, mas servirá de aviso aos corruptos para que sejam mais cuidadosos e que não ameacem novamente a prosperidade e a paz da nação com a sua ganância desmedida. Se isso acontecer, este será o maior, mais valioso e mais legítimo legado da era Lula. Senão o único.
😏 TODO MUNDO É BURRO, MENOS EU

Se você é fã dos Simpsons, conhece essa frase. No episódio "Homer, o Herege", o cabeça da família Simpson diz isso pouco antes de botar fogo na própria casa. Eu costumo me referir a ela como a "Lei de Homer" e eu lembro dela toda vez que vejo alguém de notória cultura e inegável inteligência falar uma asneira mastodôntica. E, normalmente, é aplaudido, o que me leva a crer que "todo mundo é burro, menos eu". Temos tido muitos exemplos disso ultimamente e não vou falar de personalidades da política, pois, como todo mundo sabe, toda pessoa que assume um cargo político é obrigada a deixar o cérebro (quando o tem) do lado de fora. Então, não vou considerá-los.
Vamos começar com o careca mais famoso do Fantástico, o Doutor Dráuzio Varella. Numa entrevista ao Pedro Bial (https://www.youtube.com/watch?v=EapN6TBFbBw), ele soltou a seguinte pérola: "Isso que a igreja faz com relação à camisinha é um crime". What?
Deixa eu ver se entendi: a igreja prega o celibato de solteiros e a fidelidade no casamento. Assim, como consequência natural dessas posturas, ela condena o uso de preservativos. Não é necessário entrar no mérito dessa questão. No entanto, essa política da igreja, segundo o Dr. Dráuzio, "dificulta a distribuição de camisinhas" e, portanto, contribui para uma epidemia mundial de AIDS. Fazendo de conta que eu não sei que ele é ateu, o que ele está tentando dizer é que os verdadeiros causadores da proliferação das doenças sexualmente transmissíveis são os católicos! Uma vez que eles são os únicos que teriam a obrigação de obedecer ao Vaticano, então são os católicos que, com suas atitudes de celibato e fidelidade, causam essa grande tragédia. Não, "peraí", isso não faz sentido pra mim. Faz pra você? Não seria mais lógico considerar que uma sociedade imersa numa permissividade e promiscuidade desenfreada seria um cenário muito mais propício para a transmissão das DST? Não seria também mais razoável supor que a grande rejeição de muitas pessoas ao uso de preservativos, consubstanciada em frases típicas como "chupar a bala com papel" ou "tem que ser carne com carne" seria um fator muito mais significativo do que um apelo da igreja? Dráuzio, na boa: vai pentear macaco.
Outra peça magistral do pensamento filosófico brasileiro (de cores no mínimo suspeitas) chegou aos nossos infelizes ouvidos através de Leandro Karnal. O brilhante alopécico declarou (https://www.youtube.com/watch?v=xCMdaLbBsj0) que a única diferença entre os 300 de Esparta (que ele chama de "brucutus anabolizados", nos fazendo supor que ele realmente acreditou na computação gráfica do filme) e os terroristas do 11 de setembro é que nós somos ocidentais e, portanto, chamamos o primeiro grupo de "herois" e o segundo grupo de "fanáticos" e "fundamentalistas". Como-lhe?
Se me permitem, deixa eu explicar pra esse cara o que é ser um heroi: é aquele que deliberadamente se arrisca ou se sacrifica para ajudar outras pessoas. Eu gosto dessa definição, menos espalhafatosa, mas sumamente verdadeira. Os 300 de Leônidas foram enfrentar um exército invasor muito superior para proteger a sua Pátria, seus lares, suas famílias, suas mulheres e filhos. Morrendo ou não, isso faz deles herois. Já os seguidores de Bin Laden se mataram e levaram com eles centenas de civis inocentes e desarmados, num atentado covarde e vil, para benefício de quem? De quem? Até hoje, dezessete anos depois, não encontrei uma resposta válida para essa pergunta. Ou seja, enquanto o sacrifício dos 300 ajudou toda a Europa e, por conseguinte, todo o mundo ocidental a se livrar de uma ocupação islâmica, impedindo assim que eu leve minhas esposas pra passear na rua com uma correntinha presa no pé (o que até que não seria uma má ideia... brincadeira, Denise, brincadeira!), o ato dos kamikazes da Al-Qaeda, ao contrário, marcou indelevelmente o início do Século XXI e gerou inúmeras guerras, atentados e mortes, principalmente entre aqueles que aplaudiram essa tragédia. Tornaram o mundo um lugar pior para se viver. Entendeu a diferença, Karnal, ou quer que eu desenhe? De fato, me parece que a intenção do senhor Karnal é passar a ideia de que lutar pela sua Pátria, pelo seu país, pelo seu lar é uma estupidez tão grande quanto foram os atentados do 11 de setembro. Karnal, na boa, vai pentear o Dráuzio.
Por fim, o grande filósofo contemporâneo Mário Sérgio Cortella. Numa "brilhante" palestra repetida à exaustão (https://www.youtube.com/watch?v=P3NpHryB-fQ), ele afirma que todos nós somos "vice-treco do sub-troço". Para chegar a essa aplaudida conclusão, ele compara os habitantes desse nosso planetinha com bilhões de planetas, estrelas, galáxias, etc. Noves fora que essa comparação é absolutamente inútil, deixa eu dizer uma coisinha pro senhor Cortella: se algum seguidor da Maria do Rosário (a deputada, não a santa) encher a sua cara de tiro, ele será para você a pessoa mais importante do mundo, pois será ele quem interromperá seu processo de vida e nada no universo poderá impedir isso - aliás, o universo tá pouco se lixando pra você. Ou melhor ainda: se algum dia os vermelhos afinal dominarem nosso país e você tropeçar em algum figurão do partido, quando ele te perguntar "Sabe com quem está falando?" experimenta contar a sua estorinha pra ele. Vai ser muito divertido.
Se o senhor Cortella se acha o "vice-treco do sub-troço", sinto muito por ele. Eu, de minha parte, sou o ser mais importante de todos os universos (os da Marvel, inclusive). Meus amigos dizem que eu sou megalomaníaco, mas eu os perdoo por não serem capazes de reconhecer a minha grandeza. E sabe porque eu digo isso? Porque em Efésios, 2:10, está escrito: "Nós somos a obra-prima de Deus. Ele nos fez o que somos agora; em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós". Ou seja, eu não sou uma partícula insignificante do cosmo, sou a obra-prima de Deus. E sabe qual é a melhor coisa disso? Você também é. Todo mundo é. E é ao reconhecer uma obra-prima de Deus em cada ser humano que perdemos automaticamente o direito à soberba e à arrogância, que, em última análise, é o objetivo da palestra do nosso filósofo de porta de banheiro público. Portanto, Cortella, na boa: vai pentear o Aquaman (que tá precisando).
Não sou filósofo, nem professor e admito que ás vezes sou até meio burro, mas, eu peço sinceramente: não fiquem aplaudindo qualquer um só porque a grande mídia quer que você faça isso. Na boa.

😀 BINGO DA IGREJA

Almoço na igreja seguido de bingo. Atividade social de primeira ordem no meu bairro, momento de descontração, encontro de vizinhos e suas famílias e, por que não dizer, de considerável aporte de recursos financeiros para a manutenção do templo.
Hora do bingo, as pessoas se apressam para comprar suas cartelas e pegar canetas e lápis para marcar seus pontos. Todos se sentam e aguardam ansiosos o início do sorteio dos números. O animador então tem a brilhante ideia de convidar uma menina – por acaso minha sobrinha – muito simpática e querida por todos, para que ela anunciasse os números sorteados. O globo com as bolas é então girado e a primeira bola é sorteada. O número é passado para a menina que, com um grande sorriso e com notável performance para a sua idade (uns 8 anos talvez?) anuncia ao microfone:
― 18!
Alguns avidamente marcam suas cartelas, outros ficam imóveis e outros ainda não escondem a frustração de já estarem em segundo lugar na disputa. O globo com as bolas é novamente girado e mais uma bola é sorteada. O número é passado para a menina que, com a autoconfiança em franca ascensão, anuncia ao microfone:
― 57!
O ritual se repete, enquanto alguns marcam suas cartelas, outros permanecem imóveis e alguém pergunta: “qual foi o primeiro número”? O globo com as bolas é mais uma vez girado e nova bola é sorteada. O número é passado para a menina que, a essa altura, já pensa na carreira profissional (para poder sonhar com a aposentadoria integral, lógico). Ela então anuncia ao microfone:
― 63!
O processo vai se repetindo. Enquanto alguns vão se empolgando com os números que, sem mérito algum, já obtiveram, outros começam a reclamar do azar mandando girar o globo direito (como se houvesse um procedimento normatizado para isso). Lá pelas tantas, tem sempre alguém que se acha mais engraçado que os outros e grita “água”! E a menina, agora absolutamente no controle da situação, faz charminho no microfone, pose pra foto e ainda arrisca fazer um suspense (ignorando que boa parte dos presentes já passou da idade para se considerar isso uma prática segura). E anuncia ao microfone:
― 7!
Por fim, o inevitável acontece: alguém grita “Bingo”! Protestos generalizados, lamentos de “só faltava um no meu” e o rigorosíssimo processo de conferir um por um os números na cartela do suposto vencedor. Feita a auditoria, constata-se que o vencedor faz jus ao seu prêmio, que tanto faz se é um aparelho de Blue-Ray ou um LP da Tetê Espíndola, o importante é que eu ganhei!
Mas então o animador da festa resolveu incrementar a brincadeira. Ofereceu então um CD de um artista amigo dele (ou de algum lote encalhado, isso pouco importa) para quem fechasse a próxima cartela. Acontece que, como só quem já participou de bingos “apenas para diversão” sabe, quando o sorteio das bolas é retomado, fatalmente mais de uma cartela acaba sendo concluída, o que significa que não basta ter um prêmio para o segundo colocado, pois haverá vários deles. E a menina prosseguiu com seu ofício de anunciar números sorteados ao acaso.
― 20!
“Bingo”! “Bingo”! “Bingo”! Danou-se! O animador aprendeu a lição tarde demais. Os três vencedores então se dirigiram para a frente do salão para exigirem seus direitos constitucionais de adquirirem um CD que até cinco minutos antes eles nunca tinham ouvido falar. O animador, atarantado, levou os conquistadores para um canto onde estava a sua maleta e de lá conseguiu sacar outros dois CDs (donde se conclui que estavam encalhados mesmo). Explicações, apertos de mão, sorrisos, afinal, é tudo uma brincadeira, é pela igreja, aquelas coisas...
As pessoas voltaram para as suas mesas, algumas começavam já a se despedir, o pároco satisfeito com o sucesso do evento. Então, subitamente, o animador teve consciência de que um erro gravíssimo havia sido cometido: ele havia esquecido de avisar a menina, que continuava com o microfone e com o globo de bolas, de que a brincadeira já havia terminado.
― 14!
Metade dos presentes se levantou, o vozerio elevou-se num único e poderoso grito: “Bingo”! A festa da igreja virou arquibancada do São Januário em dia de rebaixamento do Vasco. O animador foi acuado num canto do salão e passou a pensar somente em sua mulher e seus filhos, enquanto o pároco retirou-se para orar pelas vítimas do desastre. Os detentores dos prêmios riam histericamente em suas mesas enquanto outros que nem assim haviam ganho algo começavam a gritar “marmelada”! Duas senhoras começaram a revirar o lixo em busca das cartelas amassadas. O diácono, policial aposentado, pôs-se a procurar pela sua arma (nunca acho quando preciso!), enquanto pessoas que ninguém conhecia aproveitaram a confusão para entrar e se servir do buffet, já frio mas ainda bastante saboroso. Por fim, após muita confusão, organizou-se uma fila e o animador começou a anotar os nomes dos ganhadores com a promessa de trazer mais CDs no próximo domingo. A essa altura, a auditoria tinha ido pras cucuias e pouco importava se o cara tinha acertado ou não, o importante era sair vivo dali. Aos poucos o caos foi dando lugar à ordem, como acontece em toda ditadura militar, e as pessoas, agora mais calmas e sorridentes, voltavam para seus lugares, aliviadas por encontrarem suas bolsas onde haviam deixado. Os penetras sumiram, as mesas começaram a ser fechadas, as pessoas começavam a se despedir e se dirigir para a saída, já especulando como seria o bingo do ano que vem. O animador, com a camisa empapada de suor, sentou-se a uma mesa, apoiou o cotovelo nela e pousou galantemente seu rosto na mão agora não tão trêmula. Sua pressão arterial e respiração já começavam a voltar a patamares normais e ele já pensava em como havia se metido nessa encrenca. Subitamente, uma vozinha angelical foi ouvida nos alto-falantes:
― 36!


😣 VEJA SÓ!

Eu não deveria mais me espantar com as imbecilidades com que nossa venal mídia nos inunda diariamente, numa verdadeira tragédia nacional, maior do que todas as enchentes e incêndios juntos, mas sem corpos para contabilizar, sem estatísticas e gráficos pizza para nos impressionar. A razão deste preâmbulo é a capa da última edição da "Veja" (a merda que você fez!). A chamada da matéria principal é bastante interessante e até, possivelmente, adequada: "O Sacrifício de Bento XVI para Salvar a Igreja". Muito bem. Esse título nos induz a crer que Bento XVI optou por pedir o boné ao perceber que não tinha mais condições de exercer o cargo diante dos imensos desafios de uma instituição em crise. Não li a matéria, mas, até aqui, não há razão nenhuma para duvidar da seriedade com que a questão foi tratada.O problema vem na última linha dos subtítulos. Após alguns questionamentos interessantes (sem deixar de mencionar a grande farsa da "pedofilia da igreja", lógico), vem o seguinte "dilema": "Se um papa pode renunciar, por que um casal não pode se divorciar?" Simplesmente inacreditável. O "iluminado" que escreveu isso não faz a menor ideia do que está falando. Para se ter uma ideia da incoerência dessa "batatada", apresentarei a seguir algumas perguntinhas de sentido similar:

  • Se o Eike Batista é tão rico, por que o Mickey Mouse tem orelhas redondas?
  • Se um meteoro caiu na Rússia, por que os automóveis no Brasil são tão caros?
  • Se o ornintorrinco é um mamífero que põe ovos, por que Tostines é mais fresquinho?
E a melhor de todas:
  • Se o Fluminense foi campeão, por que eu não posso comer a Deborah Secco?
Dito isto, vamos ao que interessa: o Papa é o Bispo de Roma, líder mundial da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano (que tem a autonomia de um país). É um cargo. Ao deixar de ser Papa, o Cardeal Ratzinger não vai deixar de ser cardeal, nem padre, nem católico. Ele não está se separando de nada, não está refugando a sua ordenação, não está negando nenhuma promessa, nenhum juramento. Seu cargo é vitalício, sim, ou seja, ele pode ocupar o cargo pelo resto de sua vida. No entanto, pelo bem da própria Igreja (e este é apenas um entendimento), ele decidiu que o momento exige alguém mais qualificado do que ele, nem que seja pelo simples fator da saúde. Um casamento (pelo menos na Igreja Católica Apostólica Romana) é um compromisso firmado diante de Deus de que o casal permanecerá unido e fiel, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe - a morte, não o primeiro advogado que encontrarem. O próprio Jesus condena o divórcio em duas passagens: Mateus 19:6 e Marcos 10:9. Também condena o que hoje é eufemisticamente chamado de "2ª união": Mateus 19:9, Marcos 10:11 e Lucas 16:18. E existe um detalhezinho muito importante e pouco observado: ao contrário da grande maioria das citações de Jesus, ele aqui não faz uso de parábolas, estorinhas ou analogias. Ele é curto, grosso e direto! Fala bem claro, sem margem para interpretações ou subterfúgios, tamanha é a seriedade da questão. Portanto, a Igreja, que tem a missão de pregar a Sua Palavra, não tem escolha: ela é contra o divórcio e ponto final.
Portanto, se o autor da "pérola" da capa da "Veja" realmente deseja uma resposta à sua "genial" pergunta, aí está. Não sei se ele vai encontrá-la, mas há muito pouco que eu posso fazer a respeito. A questão é que eu não acredito que ele esteja realmente atrás da resposta - o objetivo dele já está na pergunta. Provocar, insultar, insinuar. Provocar uma discussão sem sentido; insultar a Igreja com a ideia de incoerência; insinuar que a Igreja está ultrapassada e caduca. Pois é. As "modernidades" deste mundo vem e vão. Já foi "moderno" e "justo", pela visão do mundo, chicotear negros, assassinar judeus, obrigar moças a se casarem com estranhos. Essas coisas passam, como loucuras limitadas a um período de tempo e que são convenientemente esquecidas, como se nunca tivessem acontecido. Mas a Palavra de Deus é a mesma há milênios e vai continuar a ser, não importa o que o mundo diga ou veja.

😔 GABI X MALAFAIA

Para início de conversa, quero deixar bem claro que sou católico apostólico romano xiita. Portanto, não sou nem quero ser ovelha, carneiro ou vaca de presépio do Pastor Silas Malafaia. Dito isto, não posso deixar de admitir que fiquei abismado com a participação dele no programa "De Frente com Gabi" do dia 03/02/2013. Não por ele, diga-se de passagem, mas por ela!
A entrevista orbitou em torno de assuntos "recentes" e "polêmicos". Começando pela menção à fortuna do Pastor na revista "Forbes", que ele desmentiu veementemente e com provas - embora admitisse ser milionário, o que não surpreende ninguém. Depois enveredou na questão da "homofobia", que realmente esquentou a discussão e fez a apresentadora estourar o tempo do bloco do programa. No entanto, qualquer um que já tenha folheado a Bíblia algum dia sabe que o Sr. Malafaia não prega nada além de obviedades. Na verdade, só quem acha que o Natal é a comemoração do aniversário do Papai Noel pode achar algo "polêmico" no que ele diz. A entrevista então passou de passagem pela questão do aborto (o que foi uma pena), da famigerada PL-122 e mal tocou na questão do divórcio e dos casais de segunda união - e foi aí que a apresentadora perdeu a grande chance de colocar o Sr. Malafaia contra a parede, mas perdeu essa chance devido à sua evidente e absoluta ignorância do texto bíblico. O papo foi então esmorecendo até a apresentadora no fim dar ao Sr. Malafaia a oportunidade de atacar gratuitamente a Igreja Católica, numa referência tola ao celibato do clero, numa atitude deselegante e desnecessária.
Mas o que foi realmente estarrecedor foi o comportamento da famosa repórter. De início, ela deixou toda a isenção e imparcialidade no banheiro antes de ir para o estúdio. Desde o primeiro momento, ficou evidente que ela só tinha uma coisa em mente e que norteou toda a sua atuação: "Hoje vou entrevistar um picareta". De início, ela tentou, desastradamente, induzir o Sr. Malafaia a admitir que pastor evangélico enriquece às custas dos fiéis. Lógico que ele não caiu nessa e deu meia dúzia de respostas que a desarmaram totalmente. Na questão da "homofobia", ficou discutindo inutilmente a diferença entre "homossexualismo" e "homossexualidade" (algo como discutir se alguém é flamenguista ou se torce pelo Flamengo). Irritou-se mais de uma vez em face de sua própria incapacidade de desequilibrar o adversário (sim, adversário, porque aquilo não foi uma entrevista, foi um duelo)  e no final do segundo bloco soltou uma batatada lapidar: "Eu juro que não vou bater nele". Incompetência e arrogância. Ora, quem foi que disse que ela poderia cogitar a remota possibilidade de algum dia auferir o direito de bater em um entrevistado? Eu diria que este foi o momento em que ela percebeu que não conseguiria vencer o duelo e perdeu o controle. Admitiu mesmo isso, quando disse "Quem está nos vendo aqui está achando você muito mais interessante do que eu". Certamente. Mas isso se deveu exclusivamente ao fato de que ela entrou no ar para desmascarar e desmoralizar o entrevistado - e fracassou grosseiramente. Tivesse feito o seu papel de repórter e a estória seria outra. Mas, no final, ela conseguiu descer ainda mais baixo, quando o Sr. Malafaia, num gesto pleno de urbanidade e respeito, disse-lhe "Deus te abençoe" e levou pela cara como resposta "Que o meu Deus, que eu não sei se é o mesmo que o seu, te perdoe!" Durante o duelo, ela acusou o Sr. Malafaia de bancar Deus e fazer pré-julgamentos, mas, no final, foi ela quem o julgou e o condenou. Deselegante e desnecessário.
O que restou deste lamentável programa foi a amarga impressão de que devemos aproveitar nossa claudicante liberdade de expressão enquanto a temos, pois a mim parece que não vai durar muito. Pois, se de um lado tivemos uma pessoa de reputação questionável e que não faz outra coisa senão dizer obviedades, do outro tivemos uma clara demonstração de uma mídia totalmente comprometida e, portanto, inidônea, não confiável. Pudemos ver o quanto uma pessoa aparentemente insignificante, mas que não segue a cartilha de quem está puxando as cordinhas das marionetes, pode atrair para si de ódio dessa mesma mídia feroz que não tolera quem não segue seus ditames. Quem conhece História sabe que já vimos esse filme antes. Muitas vezes...
É, o Sr. Malafaia acabou ganhando um inesperado admirador. Não tanto pelo que ele diz, pois, como eu já disse, ele não diz nada de extraordinário, mas pela sua inquestionável coragem em fazê-lo. E se você acha que ele é um pilantra, tudo bem. Direito seu. Mas não esqueça que o que ele está fazendo é lutar pelo seu direito de achar isso.
💪 INTÉRPRETE É O CACETE!

Detesto carnaval. Descontando, é claro, os quatro ou cinco dias em que eu não preciso fingir que estou ocupado, o carnaval não tem atrativo nenhum pra mim. Aliás, se tem uma coisa que eu adoro no período do carnaval é que o bairro em que eu moro fica parecendo que foi alvo de uma bomba de nêutrons: não se vê viva alma nas ruas e até os carros escasseiam. Uma tranquilidade e sossego de dar inveja a Conservatória.
Alguém disse certa vez que "quem já viu um desfile de escolas de samba, já viu todos" e eu concordo totalmente. Mas o carnaval está chegando e é batata: todos os telejornais têm que gastar uma generosa parcela de seu tempo informando sobre os enredos, os "ensaios técnicos", a disputa para a escolha do samba, enfim, tudo o que acontece nos barracões das escolas de samba (acho que nenhum pegou fogo ainda - ainda!). E aí eu tenho que ouvir aquela tijolada: o "intérprete" do samba-enredo.
Diz a lenda que essa batatada surgiu de uma entrevista com o finado Jamelão. A inocente repórter teria perguntado alguma coisa em que se referia a ele, Jamelão, como o "puxador" da Mangueira, ao que o notório rabugento, indignado, teria respondido "Puxador não, intérprete! Puxador é quem puxa carro ou quem puxa fumo".
Felizmente ele não se referiu igualmente às alças das gavetas, que não sabem até hoje o quanto são ofendidas por serem chamadas de puxadores. Mas fica o fato de que, diante de uma repórter (presumivelmente com curso superior completo), o Senhor José Bispo (não consegui descobrir qual foi a sua formação acadêmica) expôs uma posição totalmente equivocada e - triunfou! Hoje você se arrisca a levar um tiro (e não estou sendo metafórico) se você cometer a ousadia de se referir a qualquer desses baluartes da cultura popular nacional com o desrespeitoso título de "puxador". E nessa onda vai tooooooooooda a imprensa.
No entanto, "puxador" é o termo mais correto, pois a sua função não é simplesmente cantar a música, mas servir de referência para que os milhares de integrantes do desfile cantem em uníssono! Ele literalmente "puxa" o samba para a escola inteira acompanhar. E, para isso, ele não pode "interpretar" a música, ou seja, dar um toque pessoal, alterar o tom, a voz, até mesmo a letra. Intérprete é Elis Regina, Gal Costa, Rita Lee, Ed Mota, Jorge Ben. Eles brincam com as letras e as músicas, fazendo de uma mera canção uma memorável obra de arte. O puxador de escola de samba NÃO pode fazer isso, ou o desfile inteiro desanda.
Mas, como bom senso nesse país é passível de multa ou prisão inafiançável, nesse ano teremos a apoteose da estupidez: uma agremiação escolheu como seu enredo de 2013 uma homenagem a Jamelão (e não é a Mangueira): ''Jamelão, puxador não. Intérprete!"
É... o jeito é começar a planejar o meu carnaval. De preferência, com a TV desligada.
😕 O LENÇO

Vejam como são as coisas. Dia desses, ao esvaziar os bolsos de minha calça para colocá-la para lavar, encontrei meu lenço sujo de batom!
Ouvi as trombetas! Era o apocalipse chegando! Um lenço sujo de batom no bolso da minha calça? Como isso podia ter acontecido? Não me lembrava de tê-lo emprestado para ninguém, principalmente para uma mulher batomizada. Noves fora que eu tenho várias colegas de trabalho e certamente não me importaria de emprestar meu lenço a nenhuma delas, não lembrava de maneira nenhuma de tê-lo feito.
Logo, meu implacável cérebro começou a elaborar hipóteses: a primeira é que eu havia realmente emprestado o lenço para alguém e não lembrava. Sinal dos tempos e da senilidade chegando, hipótese absolutamente plausível, mas que me incomodava muito, pois, além de ser um indício de que minha data de validade está expirando, me deixava com a suprema questão: e quando a Rádio Patroa me perguntasse de quem era o batom, o que eu responderia? Dizer “não lembro” acarretaria numa cena shakespeariana de desconfiança e drama, com a digníssima dama em lágrimas gritando para os vizinhos ouvirem “quem é essa vagabunda?” ou “você não me ama mais!” Não, não, de jeito nenhum, eu tinha que arranjar uma dona pro batom, nem que fosse minha avó, a despeito do inconveniente de que ambas já são falecidas.
Outra hipótese: algum(a) colega de trabalho pegou o meu lenço e o sujou para me pregar uma peça (ou um divórcio). Hipótese bastante plausível também, devido ao fato de que eu trabalho com um monte de sacanas. Mas o problema de memória continuava: eu não lembrava de ninguém que tivesse pedido meu lenço, seja homem ou mulher. Pegar meu lenço sem que eu percebesse seria muito difícil, mas absolutamente impossível seria alguém colocá-lo de volta no meu bolso sem que eu notasse uma mão se insinuando na minha bunda. Nem bêbado! E eu não bebo (com exceção de umas malzbierzinhas...). Não, não, hipótese descartada.
Continuei elocubrando as mais improváveis hipóteses: conspiração internacional, leprechauns, universo paralelo, abdução por alienígenas, Matrix... as possibilidades eram infinitas, mas nenhuma delas me dava a resposta que eu precisava. 
Por fim, dei-me por vencido e decidi enfrentar meu destino, confiando na conversa fiada de “quem não deve não teme”. Chamei a Dona Encrenca, fui mostrando o lenço e já fui falando antes do inevitável interrogatório que não lembrava como o lenço foi ficar sujo de batom. Ela então esclareceu o mistério: ela havia pedido o famigerado lenço quando saíra comigo dias antes e, portanto, o batom era dela!
Fim da agonia. Mas o interessante dessa estória é que todos os homens com quem eu conversei sobre isso foram unânimes: Teriam jogado o lenço fora.