😈 NEM MANDELA, NEM WALESA, LULA É NOSSO EDDIE SLOVIK
Edward Donald Slovik foi o único soldado americano fuzilado por
deserção na 2ª Guerra Mundial e o primeiro desde a Guerra de Secessão, 80 anos
antes. Aí você me pergunta: ele foi o único americano que desertou durante a
guerra? Resposta: claro que não. Então foi injusto? - você pergunta. E eu
respondo: sei lá!
A questão é por que ele foi fuzilado? Até onde a história é
capaz de nos esclarecer os fatos, muitos soldados americanos desertaram durante
a guerra. Vamos admitir que nem todos são Rambos e qualquer pessoa normal que
comece a ouvir projéteis passando perto de seus ouvidos tenderá a supor que um
deles vai acabar acertando a sua cabeça, o que seria suficientemente
desagradável para você preferir sair correndo. No caso específico dos
americanos, quando a coisa chegava ao ponto de ir para uma Corte Marcial, o cara
acabava pegando uma pena bem pesada – tipo 20 anos de cadeia. Acontece que, com
o fim da guerra, o crime acabava prescrevendo e aí o desertor ganhava o grande
prêmio da sobrevivência ao custo de alguns anos de encarceramento bancado pelo
governo.
Era
isso que Eddie Slovik tinha em mente quando resolveu desertar. Só que ele não
desertou em combate, ele simplesmente disse ao seu comandante que não iria para
a linha de frente, virou as costas e foi embora. Todas as tentativas para
demovê-lo de sua decisão foram infrutíferas (claro) e ele ainda fez o favor de
fazer uma declaração por escrito e assinada dizendo que desejava desertar.
Sempre tendo em mente a certeza da impunidade e da recompensa final.
O
que Slovik não sabia é que no final de 1944 as coisas não andavam bem para os
aliados. A esperança de uma vitória rápida havia desaparecido e algumas das
mais brutais batalhas do Teatro de Operações Europeu ocorreram nessa época. A
divisão de Slovik em particular (a 28ª) foi destroçada duas vezes em dois
meses, nas batalhas de Hurtgen e das Ardenas. Simplesmente muita gente tinha
morrido, o moral estava caindo e as deserções começaram a aumentar. Nesse
clima, a Corte Marcial condenou Slovik por unanimidade à morte. Pedidos de
clemência foram feitos aos escalões superiores, mas tratava-se de um desertor
justamente da massacrada 28ª Divisão. Seria uma afronta aos bravos que haviam
perdido suas vidas conceder a misericórdia a um cara que nem sequer tentou
cumprir o seu dever.
Slovik
não foi fuzilado por ser um desertor nem por ter ficha criminal (pequenos
furtos na adolescência). Ele foi fuzilado porque abusou. Ele foi fuzilado
porque achou que não acontecia nada com ninguém então não iria acontecer nada
com ele também. Se a impunidade é pra todo mundo, ele pensou, porque logo eu
vou ser punido?
O mesmo aconteceu com o ex-Presidente. Ele não foi preso por ter
ganho um triplex, por ser corrupto ou por ter ficado milionário de forma
escusa. Não foi preso por ser semianalfabeto ou por ter preguiça de ler. Não
foi preso por ser alcoólatra. Não foi preso por ser um mentiroso contumaz e
confesso. Não foi preso por capitanear a implantação de uma das ideologias mais
imundas que já infestou as terras tupiniquins. Não foi preso por não ser capaz
do mais minúsculo ato de decoro moral e ético. Ele foi preso simplesmente
porque abusou. Se a impunidade é pra todo mundo, ele pensou, porque logo eu vou
ser punido?
Diante
da infinidade de opções que tinha diante de si, ele decidiu por todas. E aos
extremos. Seu regime criminoso de tal maneira arruinou o país em troca de um
enriquecimento pessoal meteórico e de um projeto insano de perpetuação no
poder, que não deixou aos seus adversários e cúmplices outra atitude senão
unirem-se para detê-lo. Primeiro se livrando da criatura estúpida e figurativa
que estava mantendo a cadeira aquecida para quando ele voltasse, depois se
livrando do ex-chefe. Ainda que ao custo de permitir que muitos amigos também
acabassem presos, o que é um preço aceitável, para impedi-lo de matar a galinha
dos ovos de ouro.
A
morte de Slovik certamente fez muitos soldados americanos pensarem duas vezes
antes de desertar, o que fez a sua morte ser mais útil à causa aliada do que a
sua vida. A prisão de Lula certamente não acabará com a corrupção nem será o
primeiro passo para isso, mas servirá de aviso aos corruptos para que sejam
mais cuidadosos e que não ameacem novamente a prosperidade e a paz da nação com
a sua ganância desmedida. Se isso acontecer, este será o maior, mais valioso e
mais legítimo legado da era Lula. Senão o único.